Itinerário português – uma viagem, por Catarina Loureiro

Morando há quase 20 anos em Madrid, e sendo portuguesa, sou a “agente de viagens” dos meus amigos espanhóis. Recentemente, alguns amigos pediram-me conselhos para uma “roadtrip” em Portugal, um  Itinerário português que começaria em Coimbra e terminaria em  Comporta, esse “resort” na moda, pasando por Lisboa e Sintra. Não me pode dar ser mais grato dar a conhecer o meu país, especialmente os locais menos turísticos e partilhar os meus segredos, também muitas vezes apresentar os meus amigos portugueses, para que a experiência seja autêntica e para que eles vejam o melhor que o país vizinho tem para oferecer.

Neste itinerário comecei por sugerir visitar Coimbra,  uma cidade de jovens, já que é a cidade universitária, digamos a Salamanca de Portugal, cidade com a qual está hermanada. Esta bela cidade, por onde passa o rio Mondego, foi a capital de Portugal, de 1139 a 1385, e a sua universidade, a mais antiga de Portugal, foi fundada em 1290. Repleta de tradições, estudantes, muitos “Erasmus”, a cidade é uma festa no mês de maio, quando se celebra a “Queima das Fitas”, uma espécie de comemoração da formatura dos alunos que dura um mês, e em que o consumo de cerveja bate recordes.

Pátio das Escolas – foto Catarina Loureiro

Um dos seus lugares mais lindos é a praça chamada “Pátio das Escolas” desde o qual temos uma vista incrível sobre a cidade e o seu rio. Ali encontramos também uma das bibliotecas mais espetaculares do mundo, a Biblioteca Joanina, construída por D. João V no século XVIII, e de estilo rococó. Uma visita a não perder.


Interior Biblioteca Joanina – fuente Wikicommons

Descemos da Universidade para o centro histórico, a chamada Baixa e caminhamos, através de igrejas góticas (como a “Sé Velha”), antigas livrarias e muitas lojas tradicionais.
Existem vários jardins e bonitos parques, mas um deles, onde também podemos temos uma  bela vista é o “Penedo da Saudade”, um jardim romântico onde encontramos várias frases de poetas falando de Coimbra gravados em mármore. Ou o belo jardim barroco: o Jardim da Sereia. 


Jardim da Sereia (fuente Wikicommons)
Para tomar uns copos e petiscos, recomendo ir ao Passaporte Lounge Bar, com uma vista espetacular do rio e da cidade.

Fotografia: Maria João Gala/GI

Ou ao “Loggia”, o bar com vistas também impressionante localizado no mais importante Museu da cidade, o  Museu Nacional Machado de Castro.

Vistas do Loggia, foto Catarina Loureiro

Outra  parada obrigatória neste Itinerário português é Quebra Costas, uma rua com escadas íngremes, onde há entretenimento noturno, bares, mercados e uma loja perfeita para comprar um presente,“Companhia Portuguesa”.


Hotel Quinta das Lágrimas (fuente: web del Hotel)

Há vários hotéis recomendados em Coimbra, mas o local mais bonito é a “Quinta das Lágrimas”, uma propriedade de 18 hectares nas mãos de uma família por gerações, que é agora um hotel boutique, além de ser um local histórico, por ser o cenário de uma das mais belas histórias de amor “ibéricas”, muito pouco conhecidas em Espanha, a história do rei D. Pedro e de Dona Inés de Castro: quando ainda era criança D. Pedro apaixonou-se loucamente por Inés de Castro, nobre galega, dama da esposa dele, D. Constança Manuel. Os amantes tiveram os seus encontros românticos nos jardins da Quinta das Lágrimas. Após a morte de D. Constança, em 1345, D. Pedro viveu maritalmente com Inês e os seus três filhos, contra a vontade de seu pai, D. Afonso IV, que ordenou o assassinato de Inês de Castro em janeiro de 1355. Louco de dor, Pedro nunca perdoou o assassinato de sua amada. Quando finalmente subiu ao trono em 1357, D. Pedro mandou capturar e matar os assassinos de Inês, arrancando seus corações, o que lhe valeu o apelido de “Cruel” e conta a lenda que Pedro ordenou desenterrar Inês e “coroá-la” “Como Rainha de Portugal.

Continuamos a viagem rumo ao Sul, para Lisboa.

A capital portuguesa, tão na moda, é uma cidade de incrível beleza, cheia de lugares para descobrir. Geralmente recomendo ficar na zona do Príncipe Real, o meu bairro favorito. Está perto de todo o centro histórico, mas podemos facilmente escapar para bairros menos movimentados como Lapa, Santos, Marvila ou Campo de Ourique.


Jardin del Principe Real (foto Catarina Loureiro)

Com calçado confortável, recomendo iniciar o passeio pela Praça do Príncipe Real: depois de tomar um café no típico quiosque vermelho ou na loja “Bettina e Niccòlo Corallo”, prosseguir para o miradouro de S. Pedro de Alcántara, descer para o a Praça dos Restauradores, continuar até à bonita praça do Rossio, caminhar pela Baixa e descubrir o elevador que nos leva até à colina do Castelo de S. Jorge, o chamado “Elevador do Castelo” (Rua dos Fanqueiros, 76. De aí, ir no  “Elevador do Chão do Loureiro” que nos leva a um belo miradouro.

Perder-se nas ruas da Mouraria e do bairro Castelo é uma maravilha. Ali fica uma das minhas pracinhas preferidas, o Largo dos trigueiros.


Largo dos Trigueiros (foto: Catarina Loureiro)

Aí fica também uma das minhas lojas  favoritas, a das ceramistas Henriette Arcelin e Joana Simão.


Loja Henriette Arcelin e Joana Simão (foto Catarina Loureiro)

Se a fome apertar podemos comer no espectacular terraço do Chapitô (R. Costa do Castelo, 7), ou para os mais aventureiros recomendo o “Cantinho do Aziz” (R. das Fontainhas A São Lourenço, 5), restaurante de comida Moçambicana, sempre cheio de lisboetas, atores, etc, e poucos turistas em geral.
Continuamos a caminhada até ao popular bairro de Alfama, o mais arcaico e antigo de Lisboa, ou para quem está mais em forma, subir até ao Castelo de S. Jorge é um bom plano e a vista vale a pena. Ou descemos mais perto do rio, até a praça reformada do Campo das Cebolas, onde costumo recomendar o restaurante “A Cantina do Avillez” do chef José Avillez, o grande restaurador da gastronomia portuguesa, que possui vários restaurantes na cidade. Todos são sinônimos de boa cozinha, bom gosto e bom ânimo.


Cantina do Avillez (foto: Catarina Loureiro)

Se nos apetecer fazer compras, então a melhor área seria o Chiado, onde podemos comprar presentes na loja “A Vida Portuguesa”, livros na Livraria “Bertrand”, a mais antiga do mundo (aberta desde 1732), cerâmica  na “Loiça ao Kilo” ou biquínis em “Cantê Lisboa”, todos muito próximos.


A Vida Portuguesa (Chiado).

A noite de Lisboa é longa, variada e muito animada. O plano que costumo recomendar é assistir ao pôr do sol no terraço do “Park” na Calçada do Combro ou no Miradouro de Santa Catarina.  Jantar numa das minhas tasquinhas preferidas “O Antigo 1º Primeiro de Maio” ou em um restaurante mais moderno como  o “Sea Me”. A primeira bebida da noite é tomada na rua na Rua do Elevador da Bica, sempre muito animada. De lá, costuma-se ir até a chamada Rua Côr de Rosa (Rua Nova do Carvalho)  que era uma espécie de “Distrito da Luz Vermelha” em Lisboa, mas que foi totalmente valorizada. Há vários bares muito recomendáveis, como a “Espumanteria do Cais” e a “Pensão Amor”, além de discotecas antes freqüentadas por marinheiros e que agora estão repletas de jovens a dançar e divertir-se. Podemos terminar a noite aqui mesmo na “Music Box” ou ir ao “Lux Frágil“, a melhor discoteca de Lisboa, sem dúvida.

No dia seguinte, podemos começar com um pouco de cultura na Fundação Gulbenkian e nos seus maravilhosos jardins. Ou, alternativamente, ir à zona de Belém até ao Mosteiro dos Jerónimos, comer um pastel de Belém na famosa Fábrica dos Pastéis de Belém, visitar o CCB, a colecção do Museu Berardo e andar junto do rio e parando no novo ícone arquitetônico da cidade, o museu MAAT. Toda essa área vale a pena, incluindo o Jardim Botânico, a Fundação Champalimaud ou simplesmente caminhar ao longo do rio. Muito para ver.

Fundação Champalimaud (foto: Catarina Loureiro)


Museu MAAT (Foto: Catarina Loureiro)

Se não houver paciência para fazer a fila dos pastéis de Belém, e quisermos fugir dos turistas, recomendamos experimentar o melhor croissant de Lisboa n’ “O Careca”, que fica no bairro do Restelo, mesmo ao lado de Belém. Lá não encontramos nenhum turista, apenas moradores.
Continuamos a nossa viagem à bela Sintra, uma vila romântica a apenas 30 km de Lisboa.
Sintra é de uma beleza incrível, mas é bastante saturada de turistas, por isso eu geralmente recomendo dirigir pelo centro da cidade e visitar lugares menos turísticos como Monserrate, o palácio e jardins exóticos construídos por Sir Francis Cook em 1858 no local de outra antiga mansão construída pelo comerciante inglês Gerard de Visme. Um dos famosos visitantes do palácio original foi o poeta Lord Byron em 1809, que descreve a sua beleza em As peregrinações de Childe Harold.

Então eu recomendaria ir ao Convento dos Capuchos no topo da cordilheira de Sintra. Este mosteiro franciscano e muito austero do século XVI é de grande beleza e mistério. De facto, diz-se que o rei Filipe II disse: “De todos os meus reinos, há dois lugares que aprecio muito, o Escorial por tão rico e o Convento dos Capuchos por tão pobre”.

Convento dos Capuchos (foto: catarina Loureiro).
Para o almoço eu recomendo ir a um dos meus restaurantes favoritos, o restaurante da vizinha Praia de Adraga. As vistas são incríveis.

Comporta

É um paraíso, que até há pouco anos era pouco conhecido, uma aldeia costeira na região do Alentejo, localizado a uma hora de carro ao sul de Lisboa, com quilômetros de praias que fazem parte da Reserva Natural do Estuário do Sado , uma das zonas húmidas mais importantes de Portugal. Na Comporta as casas são sustentáveis ​​e respeitosas com o maravilhoso meio-ambiente. O seu encanto reside nas suas casas de palha e madeira, as suas infinitas praias selvagens de areia branca, casas de pescadores antigos, campos de arroz, florestas de pinheiros e um mar azul. Embora muitos proprietários e visitantes sejam nomes glamurosos, na Comporta o luxo é exatamente  que (ainda) é muito virgem: quilômetros de praias, cidades pequenas e não grandes lojas, clubes, etc.

Existem várias praias: Comporta, Carvalhal e Pêgo. Além da vizinha Tróia. O minha favorita é o Carvalhal, onde costumo comer um peixe grelhado muito fresco no restaurante “O Dinis”. Tudo muito simples, mas muito rico.


Restaurante O Dinis, Praia do Carvalhal (Foto: Catarina Loureiro)
No final da tarde ou antes de jantar eu recomendo pasar pelo Colmo, um bar na aldeia de Comporta, onde o meu amigo Felipe Branco prepara smoothies de frutas naturais incríveis e excelentes cocktails. Além disso Felipe e a sua mulher, Cristina Espírito Santo, alugam as mais belas casas da Comporta através de comportahomepage.pt.

Casa em Comporta, de Comporta Homepage (foto Catarina Loureiro)

Perto da Comporta fica a vila de Melides, que também recomendo visitar, assim como a sua praia e o seu agradável bar de praia. Outro plano, é ver o Cais Palafítico da Carrasqueira. Ou no ferry de Tróia e cruzar o rio Sado até a cidade de Setúbal, onde dizem que se come o peixe mais fresco de Portugal.


Cristina e Felipe de Colmo Bar na Comporta (Foto: Catarina Loureiro)

E aqui termina a “roadtrip” portuguesa que propus aos meus amigos e que lhe proponho a si.

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